O emprego muda as expectativas do mercado
Os EUA perderam 23.000 empregos em julho e, mesmo assim, o desemprego caiu. Wall Street fechou em máximas. A peça que falta é a inflação, e essa semana ela começa a se mexer.
A primeira semana de agosto foi marcada por novos recordes em Wall Street, uma temporada de resultados corporativos que continua surpreendendo e, principalmente, por um dado de emprego nos Estados Unidos que mudou as expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve.
Enquanto as principais bolsas mantiveram o ritmo positivo, os investidores começaram a prestar mais atenção aos sinais de desaceleração da economia e ao que eles podem significar para as taxas de juros.
Um relatório de emprego que surpreendeu o mercado
O principal acontecimento da semana veio na sexta-feira, com a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos.
A economia perdeu 23 mil empregos em julho, muito abaixo das expectativas do mercado, que previa um aumento de aproximadamente 80 mil. Além disso, os números dos dois meses anteriores foram revisados para baixo.
A taxa de desemprego, no entanto, caiu de 4,2% para 4,1%. Em conjunto, os dados mostraram um mercado de trabalho dando sinais de desaceleração, embora ainda esteja longe de indicar uma fraqueza generalizada.
O que isso significa para o Federal Reserve?
Um mercado de trabalho mais fraco pode reduzir a pressão sobre o Federal Reserve para manter as taxas de juros elevadas.
Após a divulgação do relatório, as expectativas de um aumento das taxas em setembro diminuíram consideravelmente. Para os mercados, isso foi positivo, já que taxas de juros mais baixas podem favorecer as ações e reduzir os custos de financiamento.
No entanto, ainda existe uma variável importante: a inflação. Nesta semana, os investidores estarão atentos aos novos dados de preços para avaliar se existe espaço suficiente para uma mudança na política monetária.
Wall Street volta a atingir máximas
Apesar das dúvidas sobre a economia, as bolsas americanas tiveram uma semana positiva.
O S&P 500 encerrou a semana em um novo recorde histórico, enquanto o Nasdaq avançou com força. O índice de tecnologia ganhou mais de 5% durante a semana, impulsionado pelo otimismo em relação aos resultados corporativos e à inteligência artificial.
Os resultados das empresas continuam sendo um dos principais suportes do mercado. Até agora, cerca de 85% das empresas do S&P 500 que divulgaram seus resultados superaram as expectativas dos analistas.
A inteligência artificial continua no foco
A inteligência artificial continua sendo um dos grandes temas de investimento.
As grandes empresas de tecnologia mantêm fortes investimentos em data centers, semicondutores e serviços de computação em nuvem. No entanto, os investidores começam a exigir mais do que apenas crescimento: querem ver esses investimentos se transformarem em maiores receitas e lucros.
O comportamento de algumas ações de tecnologia durante a semana mostrou exatamente isso. Mesmo empresas com bons resultados podem sofrer quedas se suas projeções não atenderem às elevadas expectativas do mercado.
O petróleo mantém a volatilidade
Os preços do petróleo também tiveram momentos importantes durante a semana devido às notícias relacionadas aos Estados Unidos, Irã e ao Estreito de Ormuz.
Na quinta-feira, o Brent subiu 3,8%, para US$82,49 por barril, enquanto o WTI avançou 2,75%, para US$77,29. As preocupações com o fornecimento de energia voltaram a colocar o petróleo e a inflação no radar dos investidores.
O que Wall Street acompanhará nesta semana?
Os investidores estarão atentos principalmente a:
Novos dados de inflação dos Estados Unidos.
Novos sinais sobre as taxas de juros do Federal Reserve.
A continuidade da temporada de resultados corporativos.
A evolução das ações relacionadas à inteligência artificial.
Os preços do petróleo e as novidades envolvendo o Estreito de Ormuz.
A semana deixou um mercado que continua mostrando força, mas que também começa a receber sinais diferentes sobre a economia americana.
O crescimento das empresas e o impulso da inteligência artificial continuam apoiando Wall Street, enquanto um mercado de trabalho mais fraco pode abrir espaço para uma política monetária menos restritiva.
Agora, a atenção se volta para a inflação. Os próximos dados serão importantes para determinar se as expectativas de taxas de juros mais baixas continuarão impulsionando o mercado nas próximas semanas.
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Fontes: Bloomberg, Reuters Energy, CNBC Markets, ISM Manufacturing Report